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Inserida na Festa de Santa Rita de Cássia, Padroeira de Malacacheta, uma concorrida exposição de objetos sacros e fotos de antigas celebrações religiosas marcou o Centenário da nossa Igreja Matriz.

A chamado do então vigário, FREI FRANCISCO, o arquiteto e construtor NICOLA MAZZINGHY veio da Itália e, entre os anos de 1909 a 1919, se dedicou à sua construção.

O curto prazo para sua construção se deve ao empenho da população. Todos dedicaram um pouco do seu tempo livre, principalmente após a missa dominical, no transporte de pedras, terra, tijolos e tudo o mais que se precisava na obra. Um mutirão em que homens e mulheres, jovens e adultos, trabalhavam lado a lado fazendo as histórias que repassaram aos seus descendentes. Em visita à exposição, muitos puderam dizer, com orgulho: “Meu pai” ou “Meu avô” ajudaram na sua construção!

Entre tais, foi relevante o trabalho do também pedreiro GILBERTO BRITO, responsável pelos detalhes das cimalhas (parte superior dos arcos), nichos e molduras dos afrescos.

Fato é que, com sua arquitetura neoclássica, com seus afrescos (pinturas feitas diretamente na parede) retratando santos e passagens bíblicas , com seu altar-mor de características barrocas todo entalhado em madeira, nossa Matriz é única. Com justiça e propriedade, foi eleita como a mais bela de todas as igrejas construídas nos arredores próximos e distantes.

E dizer que, antes de algumas reformas que a descaracterizaram em parte, sua beleza artística era ainda mais preciosa! Já não existem mais o batistério e o púlpito.

Fechado por uma grade de madeira torneada, tendo ao centro a pia batismal entalhada em mármore italiano, o batistério ficava á esquerda, bem na entrada da Matriz. A Pia Batismal, em mármore, foi esculpida na Itália.

O púlpito, igualmente talhado em madeira, com detalhes barrocos como o altar, era fixo no alto da segunda coluna à direita de quem sai da sacristia. (Para constar: púlpito era o lugar de onde o padre tinha de fazer a reflexão antes que as reformas do Concílio Vaticano II determinassem a pregação junto ao povo.)

Separando o altar da nave, a mesa de comunhão, em madeira torneada, resistiu ao centenário da igreja. Antes do citado Concílio, as pessoas só recebiam a comunhão ajoelhadas ao longo dela, as mulheres tendo, ainda, que se cobrirem com um véu! Contudo, as preciosidades mesmo da nossa Matriz são seus sinos e seu relógio.

Em todas as igrejas conhecidas, os sinos giram em torno de um eixo, os seus badalos fazendo um blém-blém monotonamente igual. Os nossos não.

Nossos quatro grandes sinos são fixos. Puxa-se seus badalos por uma corda para se tocá-los. Pelo movimento de seus braços, o sineiro pode, então, dar ritmo e musicalidade ao seu toque. O que permite, também, um badalar diferente para ocasiões especiais. Tem o repicar festivo dos louvores, o toque de chamada para as orações e o triste dobre de finados, entre outros Repetindo: todos característicos e diferentes, como não há nas igrejas da região.

Vovô centenário, o relógio, porém, não está caduco.
Seu pêndulo comanda todo um sistema de roldanas e pesos que controlam o toque dos quartos de hora e das horas ainda com precisão. Trazidas da Itália, suas peças ainda hoje originais foram montadas uma a uma há cem anos, mesmo século de nossa Matriz.

Cem anos em que, pelo seu altar, passaram, além de padres missionários:
► FREI FRANCISCO DE MÓDENA – responsável pela sua construção e, também, pela criação da E. E. Frei Francisco.
► MONS. CLÓVIS – responsável pela criação da atual E. E. Mons. Clóvis e foi quem iniciou a construção do Hospital São Vicente de Paula.
► MONS. JORGE – o mais longevo de nossos vigários (46 anos), concluiu o Hospital São Vicente e, como Inspetor Escolar, contribuiu e muito pela nossa Educação.
► E os padres MANOEL, RAIMUNDO, GÉRSON, AURELIANO, VANDERLEI, WAGNER, AGENEI, ACÁCIO E ERIVELTO.

Cem anos em que, tanto como centro de adoração e devoção a Deus quanto como monumento artístico, preservando objetos de arte, a Matriz de Santa Rita de Cássia foi, é e será, sempre, motivo de orgulho para nossa Malacacheta!

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Foto antiga da Igreja Matriz, quando ainda preservava as escadarias frontais, comuns em templos desse estilo.
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Frei Francisco , o mentor! Nicola Mazzinghy, o construtor!
A eles, junto com nosso povo, devemos a construção da Matriz!
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O teto e os nichos abobadados, as colunas em arco
encimadas por afrescos, conferem as características
neoclássicas da arquitetura de nossa igreja.
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Não são necessárias palavras para descrever a beleza do altar, entalhado
em madeira, rico em detalhes que apontam para o estilo barroco.
Também centenária é a mesa de comunhão, em madeira trabalhada.
Antes das mudanças litúrgicas iniciadas no Concílio Vaticano II,
presidido por são João XXIII, em 1963, os fiéis recebiam a comunhão
ajoelhados ao longo dela.
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As matracas, que substituem os sinos na Semana Santa, foram o que mais chamou a atenção.
A maior principalmente. Por ficar na torre da igreja, era desconhecida mesmo para os visitantes mais velhos. Ela, principalmente, foi muito experimentada

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Antigos Paramentos!
Da tristeza do preto, usado nas missas de Sétimo dia, de Finados
e de Corpo presente, ao branco, usado na Festa da Ressurreição
e na condução do  Santíssimo.

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Os centenários mecanismos do relógio e sinos, tudo vindo da Itália!
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Livros de registro de batizados e casamento.
O da esquerda, de batizados, foi iniciado no ano de 1886 com o registro do batizado de ANA DE MOJICO, o primeiro feito em nossa Paróquia por Dom Cirilo de Paula Freitas.
O último batizado nele registrado data de 1903.
O da direita registra casamentos  entre 1917 e 1923.
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De estilo barroco, o que a faz diferente das outras, essa é a primeira imagem
de Santa Rita a chegar em nossa Paróquia para ser entronizada na primeira igreja aqui construída no ano de 1884. Igreja que ficava onde é, hoje, o Quartel da Polícia Militar.
Consideramos aqui a igreja em alvenaria, e não a capela construída de "inchumento"
pelo Cônego Benício José Ferreira quando da fundação da cidade.
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Interação dos visitantes.
Aqui os alunos usam o velho confessionário, experimentam os
objetos conduzidos em procissão, escutam a leitura de um trecho do
missal em latim e se ajoelham para rezar nos genuflexórios.
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Aparelho para se fabricar hóstia.
Funcionava como uma chapa de sanduíche, como uma sanduicheira moderna.
A mistura de água e trigo era colocada sobre uma das chapas aquecidas.
Fechadas as duas, a mistura torrava, como um beiju, marcando os desenhos da hóstia. Eram fabricadas apenas 04 hóstias pequenas e uma grande por vez!
Na foto da direita, os visitantes estão aprendendo sobre a função do
Turíbio e do Incenso nas celebrações católicas como reverência,
principalmente ao evangelho e ao Corpo de Cristo
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Coroa e cetro do imperador do divino!
Nas festas do divino, o festeiro ou alguém da família, fazia o papel de imperador do divino.
Junto com a imperatriz, as pajens, os guardas, desfilavam na procissão
com a coroa e o cetro.
Muitos – principalmente os alunos das escolas - foram os que quiseram
experimentar o gosto desta tradição, posando com eles e tirando fotos.
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Espalhados pelo recinto, indo de objeto a objeto, os alunos atestaram a curiosidade
para com cada item e o interesse em conhecer um pouco mais de nossa história.
E muitos não resistiram em registrar uma lembrança.

O tempo passa e a Igreja Matriz Santa Rita de Cássia continua sendo nosso principal cartão postal.


Matéria de Jésus Raslan

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