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- Meu nome é Hernán Santibanes, de Malacacheta, Minas Gerais. O Brasil que eu quero é que a população brasileira tenha consciência de sua responsabilidade para um país melhor. Não basta esperar apenas do governo, que façamos cada um a sua parte.

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Assim falou, nosso conterrâneo, para o quadro “Qual o Brasil você quer para o futuro”, da Rede Globo, no Jornal Nacional.

Isso gerou por parte da âncora do telejornal “Juliana Morrone” um comentário em que ela classifica o Requeijão Moreno de Malacacheta, “um requeijão de corte, como uma das tantas coisas boas que existem pelo país e não são bem divulgadas”.

Mas o que é o Requeijão Moreno, como ele é feito e principalmente, após essa imensa divulgação voluntária em horário nobre, como ele pode impactar na economia de Malacacheta e cidades vizinhas?

Segundo o empresário Chanrley Lopes, o Requeijão Moreno começou a chamar atenção quando, durante o Rock in Rio de 2017, a premiada chef Roberta Sudbrack abandonou o evento, após a vigilância sanitária interditar seu estande, na praça gastronômica e decretar que queijos e linguiças artesanais estavam fora do padrão de qualidade exigido.
A inspeção jogou fora cerca de 160 quilos de alimentos, que, segundo a chef, estavam dentro do prazo de validade. O problema apontado pela vigilância era a ausência do selo de inspeção. Roberta desabafou nas redes sociais e o post teve mais de 90 mil visualizações.
Após isso, o deputado Fábio Ramalho conseguiu aprovar a derrubada da exigência do selo SIF. Com isso, foram apresentados vários produtos artesanais em um concurso feito pelo Estado de Minas Gerais. E lá estava o Requeijão Moreno de Malacacheta, produzido por vários produtores locais e um deles chamou a atenção pela aparencia e sabor inenarrável, produzido por Maria Neusa Lopes conhecida como Neusa de Cola, produtora rural de Malacacheta.

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Dentre os requeijões famosos na região podemos destacar também os dos Senhores Adão Macedo e Marcio de Franciscópolis e vários outros em Malacacheta.

O processo de produção, que é lento e manual, passa por deixar o leite coalhar naturalmente, separar a parte de cima, a gordura, para fritar, mexendo sem parar. Retirado o soro, o restante do leite vai para outra panela quente, onde é lavado para retirar a acidez e depois misturado com a gordura, mexendo por algum tempo para alcançar a consistência pastosa. 

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Simples? Não! É preciso muita prática para alcançar o ponto certo.

Colocado na forma, o requeijão, demora cerca de duas horas para esfriar e poder ser consumido. Se colocado em papel filme o produto pode ser consumido em até quatro ou cinco dias, sem ir à geladeira.

Diferente do requeijão cremoso, o Requeijão Moreno é de consistência mais firme, com o aspecto de um queijo marrom e geralmente é consumido sozinho ou acompanhado de um bom café.

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Natural no norte de Minas, mais notadamente na região de Malacacheta, não se sabe ao certo a origem do requeijão de corte. Provavelmente tenha vindo com os portugueses e sofrido algumas alterações no preparo, pois o mesmo é produzido há muito tempo, para consumo próprio ou para comercialização. Antigamente as fazendas o faziam para aproveitar o leite natural que não conseguiam vender diretamente aos consumidores e atualmente alguns produtores chegam a deixar de entregar sua produção de leite a indústria de laticínios simplesmente para produzirem o requeijão.

Mas o requeijão, segundo depoimento de um produtor, exige uma quantidade maior de leite e mais tempo e trabalho no preparo do que um queijo.
Sendo assim muitos deixam de produzi-lo, por acharem que o preço cobrado não compensa.

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Mas o que fazer para que o requeijão moreno, uma iguaria apreciada por quem tem oportunidade de experimentar, alcance o preço desejado pelos produtores e possa ser produzido e comercializado em maior volume?

Como leigo no assunto, ouso opinar que, como um produto típico e artesanal, o requeijão deveria ser precificado como tal. O que aumentaria seu valor de revenda.

Mas como isso poderia ocorrer?

Novamente como leigo, penso que, uma forma seria pleitear junto ao IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o seu reconhecimento como bem imaterial de Malacacheta e região, a exemplo de cidades ou regiões que conseguiram reconhecimento para seus queijos como os do Serro, da Serra da Canastra e do Salitre.

Claro que isso geraria certo esforço e entendimento entre produtores e órgãos envolvidos. Alguma burocracia a ser enfrentada e outro esforço para padronização das técnicas de produção.

Mas será que esse esforço não valeria a pena? Afinal, poderia ser esse o pontapé inicial para impulsionar a vocação agropecuária e até turística de Malacacheta e cidades vizinhas.

O Festival do Requeijão Moreno poderia ser um evento a ser explorado turisticamente, onde por tabela seriam também expostos outros produtos artesanais do município.

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Em meio a tanta tecnologia e estresse do mundo moderno, produtos artesanais, cidades pequenas e bucólicas e até os mercados para escoamento das produções locais, tem sido valorizados cada vez mais, como atrativos turísticos.

O momento propício é esse, aproveitando a aprovação da nova legislação e a exposição no Jornal Nacional da Rede Globo.
Como diria Fausto Silva, apresentador da mesma emissora, “a hora é agora”.

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