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Uma cidade mineira chamada Extrema implantou um projeto chamado “Conservador das Águas”, com o intuito de revitalizar nascentes e se tornou destaque nacional e internacional, recebendo prêmios e investimentos. O nosso programa de revitalização “Projeto Águas de Malaca” é similar? 

O nosso projeto em termos técnicos ambientais é muito similar ao que foi implantado em Extrema (Link para notícia), visa o levantamento técnico da situação das nascentes das propriedades rurais localizadas na APA (Área de Proteção Ambiental) do Mucuri, assim como levantamento e diagnostico das áreas degradadas e posterior recuperação. Treze propriedades já foram estudadas e diagnosticadas com sérias necessidades de intervenção.

É fato que a nossa realidade econômica é bem divergente da cidade de Extrema que é um polo industrial em ascensão, com mais de 100 empresas de médio e grande porte, tais como: Kopenhagen, Bauducco, Panasonic, Fagor Ederlan e Rexam, além disso, conta com centros de distribuição de marcas como Fiat, Centauro e Johnson & Johnson e possui um mercado de trabalho com capacidade para empregar 65,7% de sua população em idade ativa – o dobro da proporção média do país, segundo dados publicados na Revista Exame (2016), tudo isso faz com que a arrecadação municipal seja recorde e que sobre recursos para investimentos em todas as áreas. Lembro-me de quando era vereadora ter feito um curso com o presidente da câmara de Extrema e o mesmo me disse que o problema deles era como gastar o dinheiro, o que infelizmente não é o nosso caso.

O projeto Águas de Malaca está buscando apoio e recursos junto aos órgãos parceiros, ao Estado, empresas privadas como a Suzano papel e celulose e empresa de capital misto como a Copasa que possui um programa na área de meio ambiente que se chama Promananciais.

Os registrores, moradores da zona rural e mesmo urbana têm recebido bem as iniciativas deste projeto tão importante?

Felizmente sim, o momento atual ajudou muitos a abrirem os olhos pelo fato de terem passado pela maior crise hídrica da nossa região, onde muita gente perdeu animais e outros tiveram até que abandonar a atividade agrícola por não ter água em suas propriedades.

Malacacheta faz parte do CBH (Comitê da Bacia Hidrográfica) do Rio Mucuri, do CBH do Rio Suaçui e CBH do rio Araçuaí, qual o sentido prático desses comitês para nosso município?

Geograficamente falando Malacacheta tem seu território inserido nos três vales: Vale do Mucuri (da rua de cima com sentido a Teófilo Otoni), Rio Doce (da rua de cima sentido à Franciscopolis) e Jequitinhonha (da rua de cima sentido à Setubinha), portanto faz parte dos três Comitês. Estes Comitês são muito relevantes uma vez que os mesmos fazem estudos direcionados pela Agencia Nacional das Águas (ANA) que possibilitam o diagnostico de todos os recursos hídricos, além de receberem recursos financeiros (do Estado e de empresas particulares) e os distribuírem de acordo com a necessidade de cada Bacia.

Malacacheta também faz parte do Circuito das Pedras Preciosas, isso trouxe, ou traz algum benefício direto ou indireto para nosso município?

Economicamente até o momento não, embora particularmente eu acredite que ao longo desses anos Malacacheta não tem aproveitado as riquezas minerais que possui.

Não sei se estou perguntando bobagem, mas, tendo em vista que Malacacheta já teve garimpo de Alexandrita, que Franciscópolis hoje explora Granito, não seria viável uma prospecção geológica de nosso subsolo?

Não está perguntando bobagem. A cadeia geológica de montanhas de Franciscópolis é a mesma de Governador Valadares, por isso está na Bacia do Rio Doce. Nós não temos essa cadeia de montanhas voltada para granito, porém somos a região mais rica com relação às gemas de pedra preciosas (turmalina, águas marinhas, alexandrita, etc.). Existe até um artigo sobre as alexandritas de Malacacheta que rendeu uma publicação internacional.
Nós temos muitas riquezas minerais, porem a exploração de qualquer minério requer investimento e organização, até os dias de hoje existem apenas aventureiros nesse ramo e não investidores de fato. Poderíamos sim, já ter uma empresa de lapidação aqui.

Malacacheta é uma cidade de economia pouco dinâmica, talvez por isso quando a maior parte do Brasil já estava em recessão, os efeitos demoraram a chegar até nós. Agora que todos os indicadores econômicos do país se mostram em plena recuperação, nossa cidade parece viver seu pior momento. Você espera um 2018 mais promissor?

Nós não temos indústrias, a nossa economia é movimentada por aposentados, servidores públicos, comercio local e registrores e trabalhadores rurais, é obvio que se a prefeitura emprega menos devido ao Estado repassar menos recursos e parcelar salários de servidores estaduais e que se pessoas compram menos por estar em um momento instável isso reflita direto na nossa economia. 

Penso muito em algo que possa alavancar nossa cidade. É claro que começando por uma administração séria e responsável. Recentemente, tive a oportunidade de conhecer a história da China pós-guerra mundial e pude ver que lá se investiu na produção agrícola para evitar as importações e esse foi o começo para que hoje se tornasse a segunda potencia mundial. 

Eu sempre penso que Malacacheta pode ser um potencia na agricultura, nós podemos produzir tudo que comemos aqui, essa é a nossa fonte de renda que muitas vezes é mal explorada. Até criamos um programa chamado vale feira para que os servidores públicos municipais sejam agraciados com um tiquet, que só pode ser gasto com compras na agricultura familiar. Nós precisamos de incentivos a produção agrícola, esse é o nosso maior negócio.

 

Amanda Coimbra Nascimento
Engenheira Florestal
Vice-prefeita e Secretária Municipal de Agricultura, Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico
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