Ela foi a única mulher eleita vereadora no pleito atual. Novata na política partidária, trouxe para a Câmara de Vereadores seu conhecimento e experiência na área de educação, onde sempre atuou.
Apesar de altamente qualificada para enfrentar as demandas do cargo a que se candidatou, devido a campanha discreta que empreendeu, sua eleição se transformou numa grata surpresa.

Você é professora, já foi diretora de escola, é funcionária pública efetiva, portanto, presumo que sua entrada para a política não se deu por motivos financeiros. O que te motivou?

Depois de 12 anos e 8 meses na gestão escolar, a sala de aula  ficou pequena para mim. Aprendi tanto com esta experiência que sentia a necessidade de aplicar este conhecimento para contribuir de alguma forma com a sociedade. Alguns amigos, então, aconselham-me a me candidatar e depois de relutar um pouco, resolvi ceder.

Observei que sua campanha foi um pouco diferente das demais. Antes de qualquer manifestação da justiça eleitoral, você já havia divulgado que não faria campanha em carro de som. Em tempos de campanhas cada vez mais caras, barulhentas e persuasivas, você acha que sua estratégia seria viável também em campanhas majoritárias?

A campanha foi, seguramente, a parte mais difícil. Como não foi uma decisão planejada, não tinha recurso financeiro para bancar uma campanha cara. Entretanto sabia da importância de me apresentar para os eleitores como candidata. Sempre fui contra a poluição sonora produzida por carros de propaganda, desta forma não os utilizei. As redes sociais, as quais pouco faziam parte da minha rotina, foram essenciais neste trabalho. Porém o mais complicado pra mim foi o contato corpo a corpo e a participação nos comícios. Sempre fui uma pessoa discreta e me senti muito incomodada com a exposição e com a autopromoção a que tive que me sujeitar. 
Sei que uma campanha bem planejada é importante para o sucesso do candidato, contudo acredito que gastos exagerados não ganham eleição, sequer depõem a favor do candidato. A própria justiça eleitoral limita os valores a serem investidos em uma campanha e qualquer investimento superior aos limites legais sugerem crime. E quem quer eleger alguém que ainda em campanha se envolve em crimes?!?

Em sua opinião, porque a participação feminina na política é tão pequena? Lembrando que a própria legislação obriga os partidos a lançarem um percentual de candidaturas, mas o que se vê na prática é uma adesão meramente formal.

A mulher foi subjugada por tanto tempo que para algumas ainda é difícil acreditar em seu potencial. Ainda podemos encontrar pessoas preconceituosas que não apoiam as candidatas por duvidarem de sua capacidade. Talvez por falta de apoio, muitas mulheres deixam de se candidatar. Em contrapartida vemos outras mulheres se sobressaindo em cargos antes só ocupados por homens. Acredito que a mulher tenha uma sensibilidade acentuada que contribui imensamente para as ações políticas.
Em épocas de eleição, os partidos políticos ficam à busca de mulheres que aceitem este desafio para cumprirem a lei que exige o mínimo de 30% de participação de cada sexo. No entanto, algumas se sujeitam a apenas apresentar seus nomes sem, na verdade, concorrer ao cargo para o qual se candidataram.

Com seis meses de mandato, já dá para avaliar se valeu a pena ter se candidatado? Ou seja, o papel de um vereador é que você esperava? Dá para fazer aquilo que você se propôs principalmente consigo mesma?

A função de um vereador é desconhecida e deturpada por muitos cidadãos. Muitos esperam que o vereador realize obras ou resolvam os problemas de sua rua ou comunidade. Outros veem no vereador alguém que vai ajudar pessoalmente, pagando contas, comprando remédios e materiais de construção, ou doando cestas básicas.
Na verdade, o vereador, em linhas gerais, tem a função de criar leis e aprovar as leis propostas pelo Executivo, de levar ao Prefeito as necessidades da população e de fiscalizar as ações do Executivo Municipal, a fim de que nenhum direito da população seja negligenciado.
O vereador não tem poder de realizar obras, nem tem dinheiro suficiente para atender a todas as questões assistencialistas que chegam até nós. Isso gera uma certa insatisfação, embora não seja o suficiente para dizer que não tenha valido a pena, pois o que realizamos, e poucos reconhecem, é de uma relevância tamanha que faz valer a pena.

O que você acha das reformas propostas pelo governo federal para a educação? A Base Nacional Comum Curricular e a flexibilização das disciplinas no ensino médio?

Acredito plenamente na necessidade de se implementar uma reforma no Ensino Médio, assim como confio nas boas intenções do Governo ao propor esta reforma. Os alunos precisam de que o conhecimento esteja mais voltado para sua realidade e seus interesses.
Entretanto, não aceito que uma reforma como esta seja imposta sem que haja uma adequação nas redes físicas das escolas e sem a devida capacitação dos profissionais que trabalham neste nível de ensino. 
É necessário que haja, também, um trabalho com os alunos nos Anos Finais do Ensino Fundamental para prepará-los para a flexibilização das disciplinas, já que os mesmos chegam no Ensino Médio sem a maturidade necessária para fazer escolhas tão importantes.
É imperativo, ainda, que os profissionais da Educação sejam respeitados e valorizados na sua função, tanto financeiramente quanto com melhores condições de trabalho e formação continuada.

Uma personalidade que te inspira e um(a) malacachetense que você admira.

Sou uma pessoa de gostos simples e tenho na sabedoria popular minha maior inspiração. Busco em cada pessoa com quem eu convivo o melhor delas, na mesma medida em que tento oferecer a elas o melhor de mim.
Não citarei nomes para não ser indelicada com tantas pessoas maravilhosas que me rodeiam, mas não posso deixar de reconhecer a importância que meus pais, meu marido e minhas filhas têm em minha vida. São, sem dúvidas, pessoas admiráveis!

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