acmflor-malacacheta.jpg

A Associação ACMFLOR foi criada em Março de 1999 pelos moradores das comunidades Floresta e Boa Sorte, com a ajuda da ex-extencionista da EMATER, Niusa Couy, que tinha vocação em desenvolver trabalho com mulheres.

As mulheres da ACMFLOR, exercem uma forte liderança na Associação, tendo seus trabalhos organizados independentes das demais programações. 

São respeitadas as diferenças individuais, de gênero, poder económico, tempo disponível, idade, interesses individuais, etc. 

Desde que a Associação foi criada, já se passaram 18 anos, 09 mandatos, e até hoje a direção da Associação ACMFLOR sempre teve a sua frente, uma mulher.

Hoje, a ACMFLOR conta com 56 associados, participantes ativos, sendo que 41 (quarenta e uma) são mulheres, ou seja, 73,21% do total e 15 homens, 26,8%.

A vida das mulheres antes de participarem do Grupo de mulheres Quitandeiras e Doceiras da Floresta, filiadas da ACMFLOR, podemos dizer que era triste e alheia a tudo que acontecia nas redondezas.
Não sabiam o que era Política Pública, nem para que servia o Sindicato, EMATER e sobre a existência de outros órgãos do Estado ou do Governo Federal, de apoio a agricultura.
Cada uma vivia com seus problemas e não sabia a quem recorrer. Não faziam reuniões, ninguém participava de nada, cada mulher era dependente de seu marido para levar o que era produzido para o único canal de comercialização, que era, o Mercado Municipal.

Depois que o grupo foi organizado: foram nomeadas comissões, ou pessoas para cuidar de cada assunto de interesse do grupo e participar em outras instâncias: uma para ir na reunião do CMDRS, outra na reunião do Sindicato dos Trabalhadores Rurais.
Passaram a produzir e comercializar os produtos da fabriqueta de Doces e Quitandas Artesanais.
Com muita luta, participando de reuniões no CMDRS, na plenária da Câmara Municipal conseguiram que fosse aprovada a Lei de Criação do SIM (Serviço de Inspecção Municipal), com normas e exigências compatíveis com as necessidades da Segurança Alimentar dos Consumidores, mas com viabilidade de ser seguida pelos agricultores familiares.
Conquistaram também o Trator Comunitário, que era um dos sonhos de todos para facilitar no preparo das terras e algum transporte necessário.
Conquistaram o 1º Alvará da Vigilância Sanitária de Malacacheta. Foram uma das primeiras Agroindústrias Comunitárias da região a conseguir a Habilitação Sanitária. Assim, podem vender seus produtos para diversos Canais de Comercialização como o PNAE, PAA da CONAB.

Por causa da qualidade exigida pelos atuais consumidores e um mercado cada vez mais exigente e concorrido, hoje têm o rótulo para os produtos, o que ajudou na divulgação, segurança do consumidor e aumentar as vendas. Aliás, o comércio só compra se os produtos tiverem o rótulo, devido a vigilância Sanitária.
Tudo enfim, está mudando, na comunidade, principalmente a auto-estima e as condições de igualdade com o pessoal que mora na cidade. Hoje têm suas casas reformadas, com a participação financeira em casa, adquiriram eletro-domésticos, vasilhames, móveis e algumas famílias estão, inclusive comprando seus próprios veículos.
Os desafios encontrados foram muitos, como a luta para legalização da Associação em todas as instâncias, inclusive para fornecer as notas fiscais.

Tiveram que aprender muita coisa ao mesmo tempo: cuidar das coisas da casa, aprender as receitas padronizadas, instalar a Luz na fábrica que demandou muito esforço, a fonte de água que secou e tiveram que fazer muitas promoções para comprar bomba e fazer a cisterna.
Também a adequação da Fábrica nas normas da Vigilância Sanitária, fazer em mutirão o Galpão para abrigar o trator, arrumar implementos, pois o Trator não tinha nenhum implemento de trabalho, nem mesmo uma carreta.
Conseguir a Criação do Banco de Alimentos e a cessão dos funcionários da prefeitura para receber, anotar, emitir recibos, transportar e tirar nota fiscal, pois nenhuma delas sabia lidar com computador.
Outro desafio foi e é, a crítica de muitos que não acreditam no trabalho comunitário e de que unidas poderão melhorar suas vidas e chegar onde quiserem.

Muitos desafios ainda permanecem: conseguir mais independência da Prefeitura (que tem ajudado muito), baratear os custos de produção, alcançar novos mercados, incluir mais famílias nos trabalhos comunitários, conseguir transporte e equipamentos mais adequados para a Fabriqueta.

Mas as mulheres da ACMFLOR enfrentam os desafios com muita coragem e UNIÃO. Já têm a consciência que “uma andorinha sozinha não faz verão”.
Todas estão empenhadas, junto aos órgãos que as representam e dão assistência para continuarem sua luta, de obter melhor qualidade de vida e que seus trabalhos sejam cada vez mais prazerosos, sem muito sacrifício e esforço físico, mais lucrativos e que sejam sustentáveis em todos os pontos de vista, sem destruirem o meio ambiente e os recursos naturais, transformando seu lugar, no melhor para se viver, e finalmente, sendo reconhecidas COMO UM DOS GRUPOS DE MULHERES QUE PRODUZEM O BRASIL SUSTENTÁVEL.
O trabalho desenvolvido por elas recebeu, em 2013, o prêmio “Mulheres que Produzem um Brasil Sustentável” da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. O grupo recebeu R$ 20 mil reais, que foram investidos para ampliar sua agroindústria.

A ACMFLOR recebe todas as orientações do escritório local da Emater-MG. A equipe de extensionistas da Empresa, foi a responsável pelo projeto técnico da fabriqueta de quitandas e doces caseiros. “Temos trabalhado com o grupo na parte de qualificação da produção (curso de boas práticas), gestão do empreendimento e comercialização, com enfoque na agregação de valor, embalagem e rotulagem”, diz o extensionista Rogério Teixeira Lages.
Enfim, as mulheres da ACMFLOR, são um exemplo da viabilidade do associativismo e do cooperativismo, além é claro, da necessária sustentabilidade nos meios de produção.
Que a associação prospere e inspire muitas outras em nosso município.

Colaboração: Niusa Couy

0
0
0
s2sdefault
Topo
JSN Boot template designed by JoomlaShine.com