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As casas, desde os anos sessenta que estão ali, ainda hoje de pé, na saída para Franciscópolis. Onde dizemos ser de Darcizinho que, afinal de contas, foi criado na família do antigo proprietário e construtor do casario: JOÃO DE CIVICO. Para nós, seus netos, era o vovô Joãojota!

Ainda hoje, muitos se lembram deste meu avô que ali tinha seu ponto de comércio.

Naquela época, quando ainda se produzia a granel nas fazendas do Município, era à sua porta que os produtores paravam suas tropas de burros e descarregavam toneladas de milho, de feijão, de arroz e mais alguns quilos de outras produções miúdas como a farinha, os panos de toucinho, as bandas de porco!

Produção farta que abastecia toda a nossa cidade e ainda era exportada para lugares até bem longe como Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Meu tio avô, JUAREZÃO, era quem, lá em Teófilo Otoni, fazia o trânsito das exportações!

Bem à frente de todas estas casas, juntinho da estrada, ainda resiste o velho cômodo de venda. O meu avô comprava o que lhe traziam, mas vendia aos fazendeiros o que eles necessitavam. Numa ordenada desordem de produtos, cada um encontrava o que queria.

Estavam as ferramentas de trabalho (enxadas, foices, machados, facões, serras) e de arreios (argolas, estribos, freios, cabrestos, chicotes). E por não ser proibido andar com o que se defender, uma profusão de facas e punhais, pólvora e toda sorte de chumbo para as espingardas de ouvido e todos os calibres de balas para garruchas, pistolas, espingardas.

Havia potes de creme, caixinhas de pó-de-arroz e rouge, talcos e perfumes que faziam as mulheres se sentirem cobiçadas princesas.

Rolos e rolos de fumo de todos os temperos e para todos os gostos, se encostavam a um canto, tendo por cima fileiras de bingas (isqueiros) de todas as marcas e modelos, assim como toda uma sorte de pavios, fluidos e pedras.

Alinhavam-se, também, nas prateleiras, garrafas e mais garrafas de vinhos, doces e amargos, de muitos sabores. A cachaça, porém, só havia uma: a Pau-de-Cheiro. De qualidade incontestável e fama a correr longe, outra cachaça não se pedia.

O sal, que se vendia grosso, armazenado em caixotes de madeira, tinha ainda a serventia de gelar a cerveja Brahma e o guaraná Lupo!

São muitas as saudades e lembranças deste tempo. Mas sem tristezas, porque tristeza mesmo é ver o deserto em que se transformaram nossos campos de lavoura onde as famílias de hoje mal produzem para seu próprio sustento!

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