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Houve um tempo em que a cada fim de semana, uma de nossas Escolas patrocinava, nos sábados de Junho, uma animada quadrilha.

Houve um tempo em que tudo começou a mudar e a ficar mais sem graça.
Os Antônio, João, Pedro ou Ana apagaram as fogueiras. As Escolas silenciaram as quadrilhas. A música sertaneja deixou de ser caipira, deixou de ser raiz e o som eletrônico aposentou as sanfonas de DOMIGOS MACOTA e de CAMARGUINHOS.

arraia malacacheta 1

O trecho acima é parte da crônica com que iniciei, aqui nessa revista, a minha coluna “Memoriais”.

Pena que tenha sido assim, e não só com as festas juninas. 

Recentemente, guiando os visitantes pela exposição comemorativa do centenário de nossa Matriz, senti o peso de recordar os tapetes que enfeitavam nossas ruas nas procissões de Corpus Christie.

Senti o peso da saudade do glamour das damas, dos pajens, do Imperador e da Imperatriz nas antigas procissões que celebravam a Festas do Divino.

Senti o peso de recordar o som das caixas e violas, da cantoria dos foliões seguindo nossos Reis Magos ao Presépio onde o Menino Jesus aguardava as honras de todo nós.

arraia malacacheta 2

Mas é assim mesmo. Temos o hábito de cortar, destruir nossas raízes matando o que temos de melhor. Embora isso, há sempre um fiapo dessas coisas que teima em não morrer e ressurge quase invisível e intransparente.

Assim está sendo com as festas juninas. Tímidas, anônimas, para deleite apenas dos alunos. Importante é que serão feitas, cada Escola no seu tempo, celebrando nossas raízes roceiras, caipiras.

Pena que não possam ser como antes, abertas ao povo que usufruía de tudo que tinha direito: dança, comidas típicas, quentão e outras bebidas, gerando uma renda salvadora para as necessidades dos estabelecimentos de ensino.

Mas, em algum momento, um amoral político moralista acabou com tais usos. Mataram, a um só tempo, uma manifestação de cultura e tradição populares, mas também um recurso financeiro que nunca destinaram para as escolas.

Pena que, na ressaca de domingo, não mais ouviremos os elogios das pessoas conversando em grupos, comentando a decoração, a quadrilha, a música, os comes e bebes e os ademais da festa.

Pena não haver mais o orgulho saudável de uma escola.

Mas as recordações são o tempero da saudade e, por isso, trouxemos esta matéria ilustrada com as fotos gentilmente cedidas por ILVINHA LOPES para adoçar as lembranças. E nem vou dizer de onde são, deixando para vocês o prazer da descoberta.



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