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No ano de 1926, chega a Malacacheta Ernesto Radtke, um jovem alemão, vindo da cidade de Dusseldorf, Alemanha.
Seu país enfrentava ainda, as consequências da Primeira Guerra Mundial, como: crise econômica, inflação alta e uma insatisfação generalizada que poderiam culminar em nova guerra.

Nesse contexto, começava a tomar vulto ideias fascistas de Adolf Hitler, e o jovem Ernesto, ao contrário de muitos compatriotas, não acreditava na superioridade de uma raça específica. Imaginando que seria convocado caso houvesse guerra e não querendo tomar parte, mudou-se para o Brasil. Estava firme em seu propósito de não participar de nenhum genocídio.

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Deixou para trás toda a sua família e em nossa pequena Malacacheta, começou uma vida nova. 

Aqui chegando, começou a trabalhar como caixeiro (balconista) na mercearia do Sr. Tristão Couy, que, posteriormente, veio a ser padrinho do seu primeiro filho. Algum tempo depois abriu o seu próprio estabelecimento, onde vendia bebidas e registros alimentícios. Assim foi levando sua vida simples, aprendendo aos poucos a língua, e seu sotaque carregado e diferente chamava a atenção de quem o ouvisse falar.

Depois de pouco mais de um ano, conheceu uma jovem professora, Amélia Rieverts Mendes, conhecida como Milica, com quem veio a se casar no ano de 1928. Tiveram tês filhos: Eduardo (1929), Edgard (1933) e Emílio (1945). Adotaram também uma sobrinha, Marília, e ofereceram abrigo e educação a muitas outras crianças cujos pais pediam auxílio.

ernesto malacacheta002Foi um homem muito conhecido e admirado por seus atos de caridade e solidariedade, pois visitava os doentes, cuidava dos feridos, alimentava os necessitados. Também era extremamente religioso.

Porém, por ocasião da Segunda Guerra, um determinado grupo de moradores, sabendo das crueldades praticadas pelo governo alemão contra os judeus, começou a cogitar um movimento de retaliação e vingança que tinha como alvo o Sr. Ernesto, simplesmente por ele ser de origem alemã.

Ele, ao saber dos rumores desse levante, e preocupado com sua família, escondeu os filhos pequenos numa fazenda longe da sede até que a situação melhorasse. Felizmente, um dos moradores levantou-se em defesa do "Alemão", lembrando a todos os seus atos de caridade e bondade, que mais do que tudo mostravam a pessoa honrada que ele era.
Assim, dissolveu-se o movimento antes mesmo que começasse.

Depois de vários anos atuando em nossa comunidade, faleceu aos 57 anos de idade, em 04 de março de 1955, deixando muitos amigos e admiradores. Ao seu lado em seus últimos dias de vida, estava seu filho, homenageado dessa edição do Informativo Malacacheta:
Edgard Rieverts Radtke

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Edgard da Telemig ou Edgard da luz. Trabalhou durante muitos anos em nossa cidade, cuidando do fornecimento de energia elétrica, procurando sinal de televisão nos morros, no meio do mato, debaixo de sol e chuva, às vezes madrugada adentro. 

Em 1976 casou-se com Maria do Rosário Pego, professora, e teve três filhas: Elke, hoje residente em Sobradinho, DF; Mirma, professora da rede estadual; e Lília, inspetora de ensino, também da rede estadual, residentes na cidade. Das três filhas, nasceram sete netos: Filipe, Eduardo, Bárbara, Gabriela, Júlia, Maria Luisa e Rafael e do primeiro neto, nasceu o bisneto Miguel.

Edgard foi um pai carinhoso e dedicado, um avô amoroso e um marido responsável e comprometido, sempre zelando pelo bem estar da família.

Muito humilde e paciente, gostava de andar pelas ruas da cidade, puxando conversa com conhecidos e desconhecidos, contando piadas, sempre muito atencioso com todos.

 

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Trabalhou como eletricista da Prefeitura Municipal durante mais de 35 anos, encerrando sua carreira como funcionário do Posto Telefônico local, que na época funcionava onde hoje é o Cartório de Robson Meira.

Aposentou-se e passou a dedicar-se ao seu passatempo preferido: consertar e montar aparelhos de rádio e televisão, e outros equipamentos eletroeletrônicos.

Também gostava muito de música e guardava um grande acervo de discos de vinil e antigos aparelhos de som.
Era grande admirador da Filarmónica Leopoldino Gandra. Acompanhava os ensaios e apresentações mesmo fora da cidade.
Por esse motivo, foi nomeado Cidadão Honorário da Filarmónica e junto com os seus integrantes, ficava encarregado de recepcionar os visitantes por ocasião dos Encontros de Banda, promovidos pela Prefeitura local.

De fala mansa e voz baixa, com uma personalidade simples e amigável, tratava bem a todos que encontrava.

Faleceu no dia 08 de março de 2017, aos 83 anos de idade, vítima de um câncer gástrico.
Deixou saudades e lágrimas, mas sobretudo ficaram, para seus familiares e amigos, as belas lembranças das grandes alegrias que proporcionou a todos que o conheceram e o amaram.
Assim será lembrado Edgard Rieverts Radtke, uma Personalidade Malacachetense.

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Agradecemos a Teodomiro do Foto, Mirna Radtke e parentes que auxiliaram na elaboração dessa matéria.

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