maximinio-malacacheta

- Qual o nome completo de Pelé?
- Quaaaal o nome completo de Peleeeé? Responda e ganhe um premio.
Bradava uma voz que vinha de um alto-falante em um carro, em um ano da segunda metade da década de 70. Foi o que ouvimos durante a passagem do automóvel em frente à casa que morávamos.

Minha mãe virou para mim e perguntou:
- Cê sabe Lan?
- Edson Arantes do Nascimento.
Mãe então pediu a Divina, nossa ajudante na época, que levasse um bilhetinho até o carro com a resposta escrita. Mas, não sem antes perguntar quem era aquele que estava fazendo o sorteio.
- Uai, Dona Dola, é um tal de Maxíminio, um professor meio esquisitão que dá aula no ginásio. Diz que ele até já morou com os índios.
Sua estadia junto a tribos indígenas realmente ocorreu nos anos de 1969, 1971 a 1972 e 1977, quando conheceu várias tribos e entre suas aventuras consta a escalada do Pico da Neblina.

Foi a primeira vez que ouvi falar de Maxíminio. E não. Eu não ganhei o premio. Aquela era apenas uma das perguntas. Não chegamos a ouvir as outras, quando o carro passou.

Outra lembrança que guardo bem aconteceu no início dos anos 80. Foi em um episódio em que ele foi injustamente acusado, junto a amigos, de destruir o jardim do ginásio. Escola onde trabalhava.
No outro dia, no pátio da escola ele pegou o microfone e reclamou indignado. Em uma época em que pouco se falava de preconceito, ele desabafou:
- Me acusam de ser homossexual, quando na cidade existem tantos enrustidos. Isso eu posso suportar, mas não ser acusado de um crime que não cometi.

Maximínio com educadores no jardim, em frente da antiga E. E. Mons. Clóvis

Morei cerca de três anos em Belo Horizonte e lá, de vez em quando recebíamos um jornalzinho em que ele tinha uma coluna chamada “Sei lá”, na qual escrevia sem vírgulas ou pontuação, fazendo jus a sua fama de irreverente.

Quando voltei para Malacacheta em 1984, Maxíminio foi meu professor na 8ª série. Meus colegas, Marileide, Solange Alves, Maestro Divino, Cássia Sexto, Andim de Seca-Poço, entre outros comentavam que ele era muito rigoroso durante as aulas. E realmente era, mas ao mesmo tempo sua aula era muito proveitosa e agradável. Entre lições de história ele mesclava casos locais, falava de suas experiências de vida e aprendíamos com facilidade a matéria explicada.

Nessa mesma época ele escrevia um jornalzinho chamado “Cambalacho”. Era como se fosse a revista Caras da cidade. Todo mundo queria ser citado e todo mundo lia, muito embora uma parte não admitisse.

Também exercia outras atividades que mantém até hoje. Cantador de Bingo, de Leilões, animador de festas. Vez ou outra na Cabana Aconchego, de Tutuca e Julião, no Campo Roseirão da Várzea, nas matinês das festas juninas, lá estava Maxíminio, com seus bordões característicos.
- Ao passar de Teófilo Otoni, salte Poté e visite Malacacheta, antes que acabe.
- Pegou fogo na caixa d'água.
- Caixão não tem gaveta.

Em 1992 assumiu a direção da Escola Estadual Monsenhor Clovis (ginásio). Enquanto a escola funcionava ainda nas antigas instalações na Rua Tristão Couy, continuou e ampliou as obras iniciadas por Dona Valda no prédio e no jeito de administrar.
Quando o poder público decidiu construir uma nova sede para a escola, foi um ferrenho opositor da escolha do local. Achava que a escola deveria ser no centro da cidade, onde funciona a cadeia e a cadeia por sua vez mais afastada da cidade. Não logrou êxito.

Reconduzido a direção, continuou fazendo seu trabalho no novo prédio da escola com muita competência até o ano 2000.
Foi conselheiro no SIND-UTE durante um bom tempo e quando foi diretor era o representante da classe junto a Superintendência de Ensino.

Formado em Pedagogia, Estudos Sociais, Pós-Graduado em Orientação Educacional e Inspeção Escolar, continuou ajudando voluntariamente na escola por um tempo como uma espécie de “presidente de honra”. Também estudou Teologia, em Belém do Pará, não chegando a concluir o curso.

informativo malacacheta maximinio007

Embora não tenha se envolvido em política partidária, como formador de opinião, sempre expressava sua opinião. Não se deu bem com alguns políticos e depois passou a enxergá-los com outros olhos, assim como o contrário também é verdadeiro.

A mesma coisa pode ser dita sobre sua relação com os párocos da comarca. De personalidade forte, talvez alguns padres tenham enxergado nele um concorrente no campo das idéias.

Lembro-me da última Semana Santa que fui. Durante a Procissão do Enterro, o Padre na época muito carismático e vaidoso resolveu alongar o percurso da procissão. 

Com o caminho maior, já denotando uma futura pretensão política, o Padre falou a vontade, cumprimentava as pessoas quando passava pelas casas, etc. Maxíminio estava ajudando e não é desconhecido de ninguém que ele também gosta de falar ao microfone. Determinado momento o Padre passa o microfone a Maxímnio, que fala por alguns minutos e devolve a palavra ao mesmo. O Padre fala por um tempo e quando todo mundo achava que passaria a ”bola” para Maximínio, ele pede ao público para “seguir em silencio, porque o silencio também seria uma forma de comunicar com Deus”.

Acho que não teve ninguém que não tenha ficado surpreso e uma ou outra pessoa até ria ou falava baixinho. “Nossa. Max deve ter ficado “p” da vida.

Posteriormente Maximinio começou a divergir do Padre, não pelo episódio ocorrido, mas pelas atitudes políticas ou pessoais, não sei. Embora até hoje ainda sejam sócios na Rádio Clube Cidade FM, juntamente a Odilon Campos Filho.

Aliás, na rádio, Maximinio parece ter encontrado uma atividade prazerosa. Seu programa é sem dúvidas o mais ouvido. Há pessoas que ouvem porque gostam dele e do programa e há as que dizem não gostar nem dele, nem do programa, mas ouvem mesmo assim.

Pelo seu programa passaram juízes, promotores, prefeitos, deputados e todos os outros segmentos da sociedade que solicitaram (até eu) ou atenderam seu convite.

Sem “papas na língua” chegou a ser alvo de um atentado a bomba. Embora pareça que foi feito apenas com o objetivo de intimidar, é um fato grave que não pode ser esquecido.

Certa feita eu escrevi no Facebook que Maxíminiocarrega um pouco nas tintas”, não foi uma crítica, até porque até hoje penso da mesma forma. O que eu quis dizer, é que às vezes, ele emprega um tom de dramaticidade exagerado a algum fato.

Hoje ele mora em uma chácara em um bairro distante e costuma vir a pé para o centro, diz recusar várias caronas porque vindo a pé além de se exercitar ele vê e é visto pelas pessoas. 

- Eu não gosto de ser a pedra. Gosto de ser a vitrine. Ou “falem mal, mas falem de mim”.

Aposentado como diretor, ele não esconde de ninguém que recebe um polpudo salário mensal. Às vezes é perguntado por que vive com simplicidade, porque não compra um carro, ou outras coisas que a sociedade de consumo almeja. A resposta é quase padrão.

- Meu dinheiro serve para outras prioridades. Por exemplo, viajar.

E isso ele fez e faz muito. Tanto viagens mais simples como Romarias, até viagens internacionais. Visitou Israel, Egito, Petra (na Jordânia). Visitou Cássia, Assis (Itália). Dançou com bailarina Egípcia em navio no Rio Nilo, banhou-se no Rio Jordão e também no Mar Morto, viu o Papa João Paulo II em duas missas, visitou o Coliseu, esteve no Santo Sepulcro, subiu no Monte Sinai, e recebeu condecorações do Ministério da Cultura em Cuba e Jerusalém.

Atualmente uma das maiores curiosidades dos Malacachetenses é descobrir quem é “Beija-Flor”, seu amor misterioso.

Outra característica que gera um pouco de controvérsia é o fato de ele pedir ajuda para propósitos filantrópicos. Faz sorteios para angariar dinheiro para construção ou recuperação de capelas, cemitérios, para ajudar pessoas carentes, etc. Certas pessoas perguntam por que ele não faz com o próprio dinheiro? Bem, certamente não daria conta. Ademais o simples fato de se mobilizar para ajudar ao próximo já o transforma naquilo que é: “Gente que faz”.

Quanto aos brindes que ele pede ou recebe voluntariamente do comércio para sortear no programa, é a forma mais barata e eficaz de propaganda. Nesse raciocínio quem sai ganhando é quem fornece os brindes, que geralmente são registros baratos.

Fico imaginando, como sugeriu nosso conterrâneo Agnaldo Campos, como será a rotina de outras cidades pequenas, sem o seu Maxíminio?

Cidadão polêmico, atuante, barulhento e irrequieto, goste-se ou não dele, a verdade é que ele diverte, movimenta e educa nossa cidade há várias décadas.

Maximinio dos Passos de Oliveira, o Max, uma verdadeira Personalidade Malacachetense.

 

Abaixo, Maxíminio em várias fases de sua vida. Com políticos e pessoas de todas as classes sociais.

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