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Um dos pontos mais frequentados pelos visitantes masculinos, em Malacacheta, é o tradicional “Bar do Rômulo”. 

Neto de Geraldo Sapateiro, também conhecido como Romo de Odílio (seu pai), herdou a paciência de sua mãe, Dona Dina.

Rômulo montou seu bar no início da década de oitenta e seu jeito brincalhão e esculhambado, logo conquistou as pessoas.

No início, o bar não tinha pia para lavar os copos. Eram lavados numa bacia com água “meio marrom”. No banheiro não havia vaso sanitário e sim um balde onde os clientes urinavam. Assim que o balde enchia, Rômulo saía para jogar na boca de lobo.
- Ei diacho, óia o tanto de cerveja que ficou choca.

Muito inteligente e inventivo, várias frases suas, acabaram ficando famosas na cidade.
- Romo, o que tem de tira-gosto?
- Temos frito frango e pé de fuçante (porco).
- O bagre mordeu a isca. Quando alguém caía em alguma pegadinha.
- Tô deitando e não tô dormindo com o bicho me perseguindo. Se alguém insinuava que ele tinha dinheiro guardado. O bicho seria o Leão do Imposto de Renda, que ele pegou emprestado para descrever alguém em dificuldade financeira. “Fulano de tal tá com o bicho” (apertado, falido).
- Ô parente, cadê o negocin? Uma forma de cobrar a conta sem constranger o cliente, afinal ele gritava quando via um devedor passando na rua.

Quando mais jovem se gabava de sua excelente memória.
- Romo, anota duas cervejas pra mim.
- Tá anotado na cabeça.

Também gostava de colocar apelido nos clientes. Foi assim que Tino Meira, passou a ser chamado em seu bar por “Tintino”, fazendo alusão a um grande fazendeiro da região, Quintino.

Seu bar sempre foi frequentado por pessoas de todas as idades e classes sociais, um exemplo é o saudoso “Seu Luiz Guedes”, que sempre marcava presença.

Ronaldo Ramos (Burrão), mora em Capelinha e Odilon Vaz (Leque), em Teófilo Otoni, mas, quando estão em Malacacheta, podem não visitar parentes ou amigos, mas não deixam de ir ao Bar de Romo.

Neura era frequentador assíduo. Passou vários anos nos Estados Unidos. E de novo na cidade voltou a bater ponto no bar.

O deputado federal Fabinho Ramalho é outro que sempre visita o Bar de Romo. Dia desses, levou até lá o Governador Fernando Pimentel, que estava de passagem pela cidade.

Carlin irmão de Irineu, quando morava em Malacacheta, também era frequentador, inclusive seus relatos me forneceram causos para esta matéria.

Sempre estão por lá: Marquinho da Cemig, Carlin Braga, Lomar, etc.

Itamar Costa, outro frequentador diário, às vezes tá sentado na calçada, tomando cerveja com a turma, vê alguém conhecido passando e grita.
- Ô fulano, vem comer um churrasquinho de gato.
De bate-pronto Rômulo grita lá dentro.
- Ô “Ita” não esculhamba meu restaurante não. Ele mesmo fazendo galhofa de seu estabelecimento, que às vezes, chama também de armazém.
- Romo, qual o nome do armazém?
- Armazém “Nada Tem”.

Os próprios clientes tomam conta da churrasqueira. As vezes, ele quer ir embora e pede a algum cliente mais chegado:
- Toma conta do estabelecimento pra mim.

Mas quando dá na telha ele mesmo manda os clientes embora.
- Acabou a cerveja, acabou o resguardo. Cês pode ir embora.

Seus fregueses dizem que o segredo de seu frito frango ser tão bom é porque ele nunca trocou o óleo de fritura. Maldade pura, ele já deve ter trocado alguma vezes.

Durante o dia, trabalha na loja Jotaele Guedes, do amigo e também frequentador de seu bar, César Guedes. Gosta de ficar na porta como um “relações públicas” da empresa.
- Ô parente, vamo entrar pra ver as novidades.

Hoje, o Boteco do Rômulo já tem até banheiro feminino, mas o que não se vê muito, é mulher por lá. Talvez porque, mesmo depois das melhorias, o bar conservou o jeitão rústico. Afinal, para sua freguesia fiel, se melhorar muito, estraga.

As vezes, tem algum arranca-rabo entre os frequentadores, mas Rômulo, muito esperto, nunca se mete em confusão.

E assim Rômulo vai levando a vida calmamente. Hoje, já tem casa própria, filho graduado e se alguém lhe pergunta se tem vontade de mudar de Malacacheta, ele dispara.
- Ir embora praquê, se ne todo lugar Urubu é preto?

Se ele fosse embora certamente iria deixar muita gente desapontada, pois tem pessoas que quando perguntadas qual o pior dia da semana, respondem na lata.
- O pior dia é quando o Bar de Romo não abre.

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Fotos: Osmar Pinheiro
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