Já teve a sensação de ter ficado psicologicamente alterado enquanto estava doente? E o contrário? Já teve a impressão de que o estado emocional pode influenciar na cura ou na doença? Isso faz sentido ou é apenas “coisa da nossa cabeça”? O que a ciência diz?

Definitivamente, não é coisa da nossa cabeça. Há, inclusive, uma ciência especializada nesse estudo, a psiconeuroimunologia. Ela estuda as interações entre o comportamento, as funções neurais e endócrinas e o sistema imune, que é o nosso sistema de defesa. Mostra que o sistema nervoso central e o sistema imune interagem todo o tempo na preparação do organismo para acomodar mudanças impostas pelo fator estressor, que pode ser infecção ou um tumor, por exemplo.

Vamos dividir em duas partes para facilitar o entendimento:

1)         A influência do sistema nervoso central no funcionamento do sistema imune

Tal interação ocorre de forma direta e indireta. De forma direta, já foram encontrados receptores de neurotransmissores em leucócitos, as células de defesa do corpo. Mas o que isso significa? Que as substâncias que há um tempo acreditávamos servirem apenas para comunicação entre células neurais (neurônios) também têm capacidade de agir diretamente, à distância e sem intermediários, no sistema de defesa.

De forma indireta, o estresse causa liberação de corticoides pelo organismo, que dificultam a comunicação entre diferentes células de defesa, feita através de substâncias chamadas de citocinas. Dessa forma, essas células ficam meio que “desgovernadas” e não trabalham adequadamente. Os corticoides também diminuem o número e dificultam a migração dos leucócitos, deixando nossos “soldados” imobilizados.

Tal fato é simplesmente fantástico! Ajuda a entender, por exemplo, como estados emocionais como ansiedade e depressão são capazes de fazer com que o corpo fique mais susceptível a infecções e tumores. Mais ainda, mostram porque animais que convivem por muito tempo com companheiros doentes também têm mais chances de adoecer, segundo um estudo.

2)         A influência do sistema imune no funcionamento do sistema nervoso central

O inverso também é verdadeiro, pois também há mecanismos de sinalização do sistema imune para o sistema nervoso central. Os leucócitos do sistema imune são capazes de sintetizar, armazenar, secretar e captar neurotransmissores, os mensageiros dos neurônios. Assim, o sistema imune funcionaria como um sistema de percepção dos ambientes interno e externo adicional, difuso, dinâmico e em constante adaptação, que capacita o sistema nervoso central a receber e processar estímulos e mensagens que, de outro modo, não seriam percebidos.

Isso explica, por exemplo, a mudança no modo de agir do doente- há alterações no padrão do sono, perda de interesse por atividades cotidianas, como a busca por alimento, perda do contato social, do interesse sexual, falta de busca pelo prazer somada à incapacidade aparente de percebê-lo ou apreciá-lo. É dito, inclusive que os dois sistemas funcionam, na verdade, como um “único e integrado sistema”.

Tal conhecimento é muito útil em tempos de COVID. Manter a calma é fundamental. É necessário fazer a sua parte- lavar as mãos com água e sabão, usar álcool gel, máscara, evitar contato social com grupos de risco; no entanto, deve- se evitar deixar que o MEDO da doença afete o seu estado psicológico. Seu sistema de defesa e sua saúde agradecem!

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Eisenhower Pego de Sales Filho
Ortopedista e Traumatologista, Cirurgião da Mão

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