malacacheta-antiga

Na lida do dia-a-dia,

ousei, um dia, sonhar

lampejos de nostalgia

quisera, nunca acordar,

mas acordei com a agonia

de quem não sabe onde está;

me achei perdido no tempo,

não vi o tempo passar.

 

Memória, arquivo da vida,

Páginas iniciais;

Aquela gente sofrida,

Coisas que não voltam mais:

Saudades dos tempos idos,

Lembranças dos ancestrais,

Eu ainda ouço os gemidos

Da carroça de João Morais.

 

Chico Bigorna ainda toca os sinos

Nos convidando a rezar,

Bigorna que Zeferino

Malhou até se acabar.

Que Santa Luzia acrescente

E que nunca há de faltar.

Num misto de verso e prosa

quantas vezes, Mané Rosa,

você me fez chorar.

 

Lambo os ‘beiço’ e jogo o bote,

Mas jararaquinha não sou.

Versos de Cobrinha Verde,

Zé Peçanha foi quem contou.

Isso aqui não é esmola, Seu Dola,

enfia naquele lugar.

Entre os dentes, num sussurro,

Resmungava, Zé Pé-de-Burro,

Prá aquela esmola aceitar.

 

Disseram-me que Rosalina

fugiu com Inácio Cobertor;

Seguiram o rastro e a buzina

da rural azul de Heinô.

Já não vejo D. Perina

Nem ‘Manelão’ Ferrador

Fui à missa vespertina,

Não vi mais o Monsenhor.

 

Jupam, a saudade é uma chama

Que apagar eu não consegui,

Tua raça, teu brio, tua forma,

Hino que não me esqueci.

Uma vez, bem longe ainda chamei

e o tempo insiste em ouvir;

Bem vindo, Adão Telegrama

Ao passado que eu vivi.

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