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- Puxa... daqui uns dias já é Natal e o ano está terminando. Como o tempo está passando depressa. 
Zé distraído (Veião}, como sempre envolto em seus pensamentos, divagava sobre a vida atual.

Se por um lado o ano passou depressa, por outro, aconteceu tanta coisa...

É mesmo um paradoxo esta vida, onde o tempo impera sem controle ou piedade.

Ao mesmo "tempo" que queremos que a faculdade dos filhos acabe depressa, para ficarmos livres das despesas e vê-los exercer uma profissão, torcemos para que demore, para podermos desfrutar melhor a juventude dos mesmos.

Do mesmo jeito que torcemos para chegar determinada data comemorativa, queremos que os dias até o vencimento dos boletos se arrastem.

Inveja mesmo, Zé Distraído, sentia de sua esposa, Maria batalhadora. O tempo para ela, não parecia ter o mesmo peso, sentido por ele.

Maria sentia os momentos da forma que eles apareciam, sem questioná-los, sem deixar de vivê-los.

Dia desses Maria pediu a filha mais nova, Pestokinha e o filho do meio, Bududugo, que montassem a árvore de Natal.

Maria apreciava o momento, enquanto Zé, pensativo, se dividia entre o ceticismo quanto à data festiva e o pesar por saber que, talvez aquele fosse o último ano que Pestokinha, já com seis anos, ainda acreditaria em Papai Noel.

Afinal ela já vinha fazendo algumas perguntas que fatalmente a levaria a verdade dentro de pouco tempo.

- Papai, por que Papai Noel tá tirando foto com as crianças na propaganda na TV? Ele não vem só no Natal?

- Não filhinha, aquele é só um senhor vestido de Papai Noel.

 Zé, assim como seu filho mais velho, Sapulha, não eram muito adeptos do “Natal".  Achavam que, mais que uma data de confraternização, parecia mais um dia para manter aparências.

Mas esse ano, algumas passagens marcaram especialmente o período natalino e deixaram Zé, o questionador, ainda   mais pensativo.

Por sugestão de Maria, Pestokinha, resolveu doar vários de seus brinquedos, ao mesmo tempo em que escreveu sua primeira cartinha, de próprio punho, para Papai Noel pedindo uma quantidade enorme de presentes. Sinal de desprendimento ou vontade de renovar o estoque de brinquedos?

Mas até Zé, o cético, deixa se tocar, por instantes que seja, pelo "espírito natalino".

- Papai, o que você vai pedir ao Papai Noel?

Por um momento Zé, embarcou na magia natalina e a pergunta soou verossímil. Se pudesse pedir realmente algo, o que pediria? A quitação de todas as suas dívidas? O prêmio da Mega Sena? Triste, Zé se lembrou da velha mãe. Do período que ela sofreu enquanto estava doente. E que este, seria o primeiro Natal que iria passar sem ela. De novo o tempo...

Zé engoliu o choro e com um sorriso sem graça, respondeu a filhinha algo que, certamente, ela não entendeu completamente.

-Saúde para todos nós, minha filha.

Na cabecinha de Pestokinha e até na mente adulta (?) de Zé (Veião}, saúde deveria ser a normalidade. Mas, fazer o que?

Faliz Natal!

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